História de Cachoeiras de Macacu
Antes de ser conhecida pelas cachoeiras, Cachoeiras de Macacu viveu séculos de história ligados à agricultura colonial e, depois, aos trilhos de uma das primeiras ferrovias do Brasil.
🏛️ Fundação e Origem do Nome
Os primeiros registros de ocupação do território datam do final do século XVI, com um núcleo agrícola formado ao redor da antiga capela de Santo Antônio, na localidade então chamada Santo Antônio de Casseribu, onde se cultivava mandioca, milho, cana-de-açúcar, arroz e feijão. Esse núcleo foi oficialmente criado como distrito, com a denominação de Sant'Ana de Japuíba, por Alvará de 10 de fevereiro de 1647.
Em 15 de maio de 1679 o povoado foi elevado à categoria de vila, com o nome de Vila Santo Antônio de Sá, criando-se ao mesmo tempo o município do mesmo nome.
Entre 1831 e 1835, a região foi assolada pela "febre de Macacu", epidemia que causou grande perda de vidas e um intenso êxodo rural, desorganizando as atividades produtivas e levando o município a uma séria crise.
Em 29 de setembro de 1877 a sede municipal foi transferida da povoação de Santo Antônio de Sá para o Arraial de Santana de Macacu, que passou a dar nome à vila; em 24 de novembro de 1894 foi criado o distrito de Cachoeiras de Macacu, anexado a essa vila; e em 10 de dezembro de 1898 a vila passou a chamar-se Santana de Japuíba. Em 27 de dezembro de 1923 a sede retornou definitivamente para a povoação de Cachoeira de Macacu.
O município foi elevado à condição de cidade em 27 de dezembro de 1929, ainda sob o nome de Santana de Japuíba. Em 1938 passou a chamar-se simplesmente Cachoeiras, e só em 31 de dezembro de 1943, pelo Decreto-lei Estadual nº 1.056, adotou o nome definitivo de Cachoeiras de Macacu — quando o antigo distrito de Santana também foi renomeado Japuíba.
Até 1930, além das lavouras de subsistência, o município dependia diretamente da oficina da Estrada de Ferro Leopoldina, que usava a cidade como ponto de transbordo para a subida da serra — função perdida no período pós-guerra, com a desativação do ramal de Cantagalo. No início da década de 1940, a distribuição de terras a colonos deslocados das áreas de citricultura da Baixada Fluminense deu origem às colônias agrícolas de Japuíba e Papucaia.
A origem do nome "Macacu" é incerta: pode vir do macuco (Tinamus solitarius), ave nativa da região, ou do macacu, árvore da família do pau-brasil.
📜 Formação Administrativa
Linha do tempo das leis e decretos que moldaram os limites e o nome do município, da criação do primeiro distrito até a divisão territorial atual.
Distrito criado com a denominação de Sant'Ana de Japuíba, por Alvará.
Elevado à categoria de vila com a denominação de Santo Antônio de Sá, por Alvará.
Decreto Provincial nº 2.244 transfere a sede municipal de Santo Antônio de Sá para o Arraial de Santana de Macacu, que passa a dar nome à vila.
Por sucessivos decretos e leis estaduais, é criado o distrito de Subaio e anexado à vila de Santana de Macacu.
Lei Estadual nº 161 cria o distrito de Cachoeiras de Macacu, anexado à vila de Santana de Macacu.
Lei Estadual nº 391 renomeia a vila de Santana de Macacu para Santana de Japuíba.
Lei Estadual nº 1.790 transfere a sede municipal de Santana de Japuíba para a povoação de Cachoeira de Macacu.
Lei Estadual nº 2.335 eleva o município à condição de cidade, ainda com a denominação Santana de Japuíba.
Decreto-lei Estadual nº 392-A renomeia o município de Santana de Japuíba para Cachoeiras.
Decreto Estadual nº 641 renomeia o distrito de Santana de Japuíba para simplesmente Santana.
Decreto-lei Estadual nº 1.056 fixa os nomes definitivos: o município passa a chamar-se Cachoeiras de Macacu e o distrito de Santana passa a chamar-se Japuíba.
O município permanece constituído por três distritos — Cachoeiras de Macacu, Japuíba e Subaio —, divisão que se mantém até hoje.
🚂 A Era da Ferrovia
Em 22 de abril de 1860 foi inaugurado o primeiro trecho da Estrada de Ferro de Cantagallo, ligando Porto das Caixas (Itaboraí) a Cachoeiras de Macacu — com a presença do imperador D. Pedro II e da imperatriz D. Thereza Cristina. A obra foi conduzida pelo barão de Nova Friburgo, Antônio Clemente Pinto, e por Cândido José Rodrigues Torres.
A segunda seção, inaugurada em 1873, ligou Cachoeiras de Macacu a Nova Friburgo. Para vencer as montanhas da serra, foi usado o sistema Fell — tecnologia ferroviária recém-testada no Monte Cenis, entre França e Itália.
A ferrovia foi encampada pelo governo provincial em 1877, passou à exploração da Cia. Leopoldina em 1887 e teve sua concessão transferida à Leopoldina Railway Company em 1898.
Ao redor da estação de Cachoeiras de Macacu cresceu uma pequena área industrial: uma oficina de manutenção mecânica da E.F. Leopoldina, uma escola primária inaugurada pelo presidente Nilo Peçanha em 1910, e uma unidade do SENAI inaugurada em 1947.
O trecho entre Cachoeiras de Macacu e Nova Friburgo foi desativado em 15 de julho de 1964, encerrando essa fase da história ferroviária do município.
🚉 As Estações da Linha em Cachoeiras de Macacu
Subindo a serra rumo a Nova Friburgo, a Linha do Cantagalo tinha nove estações e paradas dentro do atual território do município. A maioria foi demolida ou está em ruínas; alguns prédios ainda resistem, reaproveitados como moradia, pousada ou simplesmente abandonados.

Papucaia
O prédio da antiga estação ainda existe e serve de moradia; uma ponte ferroviária remanescente foi fotografada nas proximidades em 2023.

Japuíba (antiga Sant'Anna)
Demolida por volta de 1970, antes mesmo da retirada dos trilhos (1974-75). No local funciona hoje uma escola municipal.

Cachoeiras de Macacu (antiga Cachoeiras)
Inaugurada em 1860 pela E. F. do Cantagalo, era a principal estação da linha no município. Nos anos 1950 funcionou ali uma Escola Ferroviária para formar pessoal das oficinas da Leopoldina, quando a cidade tinha 7.048 habitantes. Foi demolida nos anos 1970 e, em seu lugar, construída a rodoviária do centro da cidade.

Valério
Restam apenas vestígios junto ao rio Macacu — uma antiga casa de turma da Leopoldina e a plataforma da parada — em área hoje procurada por banhistas.

Boca do Mato
Inaugurada em 18 de dezembro de 1873, em terras doadas por Afonso Coda e sua mulher, Maria José Coda ("Dona Zizinha"), pioneira da hotelaria local. Desativada em 30 de junho de 1967, o prédio é hoje uma pousada e sede campestre da Associação dos Engenheiros da Estrada de Ferro Leopoldina (AEEFL).

Agente Maia
Prédio abandonado e deteriorado, sem telhado, às margens do antigo leito da ferrovia na serra.

Pindorama
Restam apenas as ruínas de um posto, parcialmente soterrado por uma queda de barreira.

Pena
O prédio principal é hoje uma moradia; ainda é possível ver uma caixa d'água e um casarão com a inscrição "EFL-RFFSA".

Registro
Provavelmente inaugurada também em 1873, a 864 metros de altitude. Resta apenas a caixa d'água de tijolo, ainda preservada, no caminho que leva a Friburgo.
🔗 Fontes
A Voz da Serra — Estrada de Ferro de Cantagallo
→O São Gonçalo — Estação Ferroviária Leopoldina
→Serra News RJ — Memória do leito ferroviário
→Portal Multiplix — Origem do nome e fundação
→Câmara Municipal de Cachoeiras de Macacu
→Estações Ferroviárias do Brasil — Linha do Cantagalo em Cachoeiras de Macacu
→Prefeitura de Cachoeiras de Macacu — História do Município
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